SÍTIO DO VILMAR
No sítio do Vilmar, meu amigo, próximo de casa, sempre ia pela manhã por volta de cinco horas e tomava leite quente na caneca, saindo diretamente do peito da vaca. Forte por essência, amarelado e grosso, fácil de dar nata grossa, este leite é uma delícia, com sabor totalmente diferente do que tomamos hoje em caixa, sendo que apenas a Parmalat se aproxima da realidade. Para quem não está preparado pode passar mal
OS CANÁRIOS-DA-TERRA
Pela manhã já começava a ouvir e ver os canários-da-terra cantarem, revoando e pousando nos mourões dos currais para saborearem as primeiras refeições. Era uma das mais belas cenas que pude presenciar até então.
AS VACAS
Outra cena magnífica era quando aparecia lá na porteira um cavaleiro correndo no cavalo e avisando de casa em casa em alto tom “Olha a vaca brava corram e se protejam que ela é brava” indo e voltando de um quarteirão ao outro. Depois voltava na porteira para dar apoio aos companheiros que em geral eram quatro ou cinco cavaleiros. As vacas vinham sempre de madrinhas, sendo também em torno de cinco mansas e uma brava, a que ia para o matadouro. Como um animal percebe a hora da morte, esta já saia do pasto percebendo seu final. Vinham os cavaleiros as conduzindo com cuidado e sempre se revezando e com cães treinados e sempre a brava se deslocava e andava rente a cerca ou muro das casas da rua. Qualquer portão ou brecha encontrada lá ia forçando e arrebentando tudo que via pela frente. Às vezes estas vacas entravam em uma rua ou quintal e saia na outra ou em dois ou três quintais depois, toda ensangüentadas, chegando às vezes a derrubar muros, adquirindo a força equivalente a um búfalo, representando um perigo até para os próprios cavaleiros que ali estavam conduzindo-as.
A vaca brava que mais deixou lembrança foi a Bainha, que derrubou e causou o maior estrago na rua, invadindo a maioria das dependências das casas da rua, tendo sido levada em um caminhão amuada e toda amarrada. Até as madrinhas tiveram que voltar no final da tarde. A cerca de casa era nova e ficou com vários mourões avariados.
Apos vários anos este quadro mudou e hoje o matadouro da cidade é quase que dentro da fazenda, onde fornecia naquela época o gado de corte para o frigorífico da cidade
Porquinho Tita
Era meu melhor amigo entre os porquinhos lá de casa. Meu pai ganhava muitos porcos naquela época, presenteados por amigos, para serem assados no natal.
Meu pai era mecânico, e como naquela época não havia muito dinheiro em circulação, muitas vezes ao consertar veículos de conhecidos ele não tinha coragem de cobrar pelos serviços prestados, daí sempre estávamos recebendo em casa quase como escambo, vários porcos, galinhas, coelhos, capivaras, carneiros, cabritos, doces, queijos, galões de litros de leite, cães de caça amestrados, pássaros, e até macacos.
O Tita foi um dos leitões filho de uma leitoa presenteada que não me lembro qual foram e como lá no quintal todos os animais e aves tinham nome, logo um filhotinho se destacou pelo carinho e apego a mim, passando a se chamar Tita.
Daí ele foi crescendo e nossa amizade ficando cada vez mais estreita e quando eu chegava da escola ele ia ao portão me esperar para brincarmos. Quando eu não ligava para ele, começava a me empurrar com o focinho frio, até notá-lo, para começáramos a brincar de esconde-esconde, comer na minha mão, coçar sua barriga ou fuçar o chão, quando eu estava furando para fazer uma pequena cerca, ou preparando área para construção de canteiros para horta.
Ele tinha uma cor preta com coleira branca. Minha irmã o tratava com mamadeira e sua comida era especial, não se misturando com os demais na hora da comida. Muito limpo, ele gostava de dormir no colo e quando conversávamos com ele parecia responder, rosnando baixinho.
Demonstrava um ser inteligente, e anos depois vim, a saber, que por pesquisas científicas foi provado que em geral os porcos são muito inteligentes.
Como em Luz, chovia sempre em época das águas, em uma madrugada, quando dormíamos ouvimos um barulho lá no chiqueiro mais não damos a devida atenção.
No dia seguinte quando fomos lá para tratá-los, o Tita estava com o pescoço prensado entre tábuas e morto, enforcado.
Toda família chorou, más as lágrimas não foram o suficiente para livrá-lo de ser assado, segundo a intenção do meu pai.
Suzete
Era uma cachorra vira-lata muito esperta e inteligente que criamos desde pequena
Toda preta e com uma coleira branca, muito pêlo no corpo, sempre foi tratada muito bem por todos da casa.
Ela faltava somente adivinhar meus pensamentos, de tão inteligente e amiga que era servindo até para caça, embora pequena, pelo seu faro e destreza em localizar a presa.
Rio
Era um papagaio que chegou lá em casa ainda filhote, presente do meu pai.
Começamos a ensinara-lhe a falar e quando adulto já falava bastante coisa, chegando a mexer com os vizinhos e às vezes nos envergonhava.
Ele adorava ficar sempre no pé de goiaba vermelha que era grande e de lá de cima falava e gritava.
Quando eu chegava da escola lá estava ele a me chamar para brincar “Beto, vem brincar”
Preto
Era um passáro-preto de meu pai que foi criado com arroz cozido desde cedo, comendo na mão.
Ele ficava sempre andando pelo chão na cozinha ou voando por cima dos móveis da casa. Cantava muito e todo o dia nos acordava bem cedo com aquele canto estridente. Meu pai gostava de andar com ele no ombro ou no dedo como um papagaio e quando isto acontecia ia cantando, de vez em quando coçar sua cabeça para que meu pai o acariciasse.
Outro animal que tinhamos em casa era Macaco, porém somente meu pai gostava e tinha intimidade com o bicho, dando-lhe banho, com xampu, alimentando-o, dando vacinas e remédio.
Nesta área dos macacos eu não entrava, sendo apenas um mero espectador.
segunda-feira, 27 de julho de 2009
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