AMAPÁ
Nas minhas viagens profissionais este estado contribuiu muito para a minha cultura, aprendendo sobre seu povo e hábitos.
Em Macapá encontrei uma terra com um vermelho forte cercado por braços de rios para todos os lados, sem contar com o grandioso rio Amazonas, um gigante que de tão majestoso não da para ver o outro lado de sua margem.
Eu sempre ficava hospedado no Hotel Novo Mundo às margens do Rio Amazonas onde ancorava as embarcações tanto de tripulantes como mercantil.
Uma estrutura insipiente representada apenas por um ancoradouro simples.
Gostava de ver as embarcações maiores ancorarem e algumas chegavam a ter três andares e ali dentro predominavam redes.
As redes estendidas só se tornavam fáceis de entenderem os próprios ribeirinhos, por dominarem a região e aquele tipo de transporte com suas instalações complexas, para quem não é da região.
Aos pés das redes as bagagens dos tripulantes colocadas bem arrumadas para não misturarem durante a viagem até seu destino.
Estas viagens podem durar semanas mata adentro pelos rios e canais em trajeto interrupto a dia e noite.
Esse meio de locomoção é e mais prático, pois dada as características da região somente assim se pode deslocar na maioria das viagens.
Terra (onde se cultiva o Açaí e Cupuaçu, além de outras especiarias como Pupunha, Mandioca) Macaxeira_ e outras.
Outra coisa notável é a Farinha de com várias cores e aspectos, tornando produto principal do Escambo na troca de outros produtos, sem a interferência da moeda.
Existe até uma feira especializada neste tipo de negocio, na qual fui várias vezes visitar
Os ribeirinhos viajam dias em embarcações trazendo estes produtos de várias localidades, regressando com outros produtos como açúcar, sal e outros.
Outra coisa notável é a planície do Amapá, não sendo visível nenhuma montanha ou desnível topográfico, chamando a atenção quando se olha no horizonte em qualquer direção.
Como sou apaixonado por pássaros, lá existem em abundância, sendo os Curiós bem mansos notadamente em Curiaú.
Outro pássaro diferente pelo seu canto a Cigarra, que conseguí trazer , mas quando cheguei a casa e o coloquei em um alçapão até comprar uma gaiola a minha filha Janaina o soltou, alegando que estava com dó e o soltou.
CURIAÚ
São uma região de Quilombolas, escravos que se refugiavam nas matas fugindo de seus senhores na época dos escravos.
Sempre que possível eu ia até lá passear e aprender os costumes de meus ancestrais.
Certa noite presenciei uma festa de dança em uma tenda onde senhoras com vestidos xadrez dançavam com graciosidade com uma mão segurando a saia comprida e os pés descalços, balançando as cadeiras em um ritmo contagiante ao som de tambores deitados ao chão, tocados por rapazes, usando como vaquetas galhos verdes e flexíveis, produzindo som próximo ao do Congado de Minas Gerais.
Trajando de branco, mantinham ritmo até o sol raiar, revezando em alguns intervalos.
As meninas e senhoras também mantinham o ritmo da dança com seu rebolado com uma resistência notável por longas horas, e a cada intervalo regressavam com a mesma garra. Durante o dia podia se ver porcos andando livremente pelo povoado e quando menos esperava sumiam embrenhando mata adentro.
Eram animais de pelo negro, cabeludos e altos chegando a atingir facilmente a cintura de um homem.
O povoado tinha uma limpeza notável, não se encontrando nenhum papel ou lixo caído pelo chão.
Ao lado do povoado, na época das chuvas, característica que define o inverno na região, um riacho enchia de água, se transformando em pastagem predileta de búfalos.
Ao olhar lá no horizonte do lago de vez em quando via uma canoa atravessando sendo remada por um ribeirinho ou morador da região, por uma barra grande.
Era uma paisagem muito bonita, pois sempre nadando próximo via se uns búfalos.
Vistos da estrada, ao longe apareciam apenas suas cabeças com seus longos chifres longos e arqueados em movimentos que às vezes sumiam, era quando iam ao fundo do lago.
Em certa manhã de Domingo eu e meus amigos resolvemos tirar fotos ao lado de búfalos na estrada e ao tentar uma melhor pose, pediram para que eu me afastasse, ficando bem próximo da fera, e imaginem senhores leitores quando olhei para trás estava quase na cara do gigante de quase quinhentos quilos, há uns dois metros.
Como não deu para eu sair correndo, bateram a foto e pasmem senhores, o búfalo em questão era manso porque senão não sei o que seria de mim naquele momento. Logo após discuti com os caras, pois levei um susto danado e eles nem para me avisarem que já estava tão próximo da fera.
Periodicamente eu gostava de correr por ali na rodovia por horas, fazendo meu treinamento que começava às seis horas da Manhã, e para surpresa minha comecei a ouvir um barulho diferente e para surpresa , quando olhei de lado era o revoar de um bando de pássaros que cobriam o céu, sobre o lago que quase ficou coberto de aves ribeirinhas, como se fosse ao pantanal , uma cena só vista em especiais quando passados na televisão sobre aves migratórias, com suas cores predominantemente avermelhadas do tamanho = tamanho de garças.
Naquela manhã pude captar uma imagem rara jamais por mim presenciada difícil de esquecer.
Foram cenas maravilhosas que tenho daquela região inesquecível.
Na época de inverno é marcada por chuvas constantes e muitos funcionários do Novo Astro gostavam de embrenhar pela mata para caçar. Fiquei muito amigo de um rapaz que era mateiro pessoa da região que pode fazer demarcações locais tanto geográficas quanto geológicas no auxílio a profissionais destas áreas.
Em determinado dia, junto com um motorista me chamaram para irmos até a Oiapoque na divisa com as Guianas Francesas em um Jipe Toyota, único veículo capas de trafegar por aquelas áreas devido a sua tração nas quatro rodas.
No dia da partida calculamos que apesar dos sessenta quilômetros de distância até a Oiapoque, entre ida e voltas devido ao tempo chuvoso poderiam demorar o dia todo, então preferimos não arriscar, pois normalmente só com folga de quinze dias é que se tornava possível. Outra coisa memorável era os churrascos patrocinados pela Mineração para alegrar a rapaziada e consumir as carnes de búfalos em abundância que aconteciam todas as sexta feiras.
O papo rolava legal e entre os colegas, um engenheiro de manutenção Thompson de origem Inglesa da cidade de Liverpool gostava muito de falar sobre os Beatles, papo que levávamos até altas horas da madrugada em Inglês, aproveitando para praticar minha conversação.
Como dissera, ele era músico, e nesse campo o assunto era interminável, além de adorar as praias de Natal, onde pretendia mais tarde morar definitivamente.
Outra região importante próxima Dalí era a Fazendinha, onde se localiza a praia de água doce da cidade de Macapá.
Marco Zero também é um local marcante, onde a linha do Equador linha para por cima de um restaurante dividindo o Hemisfério Norte e Sul. Para mim aquele foi um momento historio por ter a chance de pisar nos dois hemisférios ao mesmo tempo.
A temperatura média sempre acima de trinta e cinco graus a umidade relativa do ar constante, fazendo com que muita gente não conheça ou não use o cobertor ou blusa de frio durante todo o ano.
Belém do Pará
Outra cidade marcante na Amazônia é a capital do Pará, com sua culinária exótica, sendo similar à do Amapá.
Uma de suas atrações é o Mercado Ver o Peso, onde se concentram várias barracas de comidas e especiarias típicas da região, sendo quase impossível percorrê-las no mesmo dia.
Preferi logo experimentar uma tigela de Açaí com Graviola e como meus colegas sabiam do risco à primeira vista me alertaram pelo mal que eu poderia passar.
No dia seguinte voltamos ao mesmo local e após almoçarmos uma tigela de açaí, hábito comum na região, provei o tradicional sorvete de Cupuaçu, uma Delícia imensurável que jamais havia sentido.
Passei alguns meses em Belém terminando a elaboração do Projeto de Cargos e Salários da CMP, Mineração Novo Astro, local entre onde ficava m centralizado o seu escritório.
Aos finais de semana iam visitar alguns locais como a Igreja do Nazaré, situada em uma praça no centro de Belém, e próximo Dalí o Teatro Municipal com sua arquitetura fantástica a começar pelos seus lustres coloniais, sendo considerado o mais belo do país.
Em uma segunda fase do projeto fui para a cidade de Viseu, onde se localizada outra mina de ouro do grupo.
Lá fiz apenas algumas entrevistar e regressei à capital.
Nesta localidade me chamou a atenção à planície que percorremos na estrada que em dado momento parecia dar tédio, sem nenhuma árvore próxima.
O motorista me explicou que há alguns anos atrás a floresta margeava toda aquela rodovia, e com o desmatamento ela desapareceu.
Ao longo do asfalto era comum ver manchas de sangue e couro de animais vitimados pelos pneus dos veículos, que ao tentarem ultrapassar não conseguiam evitar o acidente.
Saiba senhores leitores, que uma coisa é lermos as notícias pelos jornais sobre o desmatamento, outra coisa é estarmos in loco presenciando a cena devastadora que o hoje, na sua insaciável sede da riqueza material, ignorando a sobrevivência de nós humanos e para as gerações futuras.
É triste sabermos que em um futuro bem próximo nossos netos correm o risco de tomarem conhecimento sobre os animais só poderão ocorrer através de fotografias ou filmes. Para vocês terem uma idéia, pode se encontrar pelas cidades do interior Lontras e Preguiças criadas em casa como cães de estimação.
Para os senhores terem uma idéia, o desrespeito p elo meio ambiente na região chega a ser assustador para qualquer leigo, a ponto de, quando da primeira vez em que lá cheguei aos portos Chatas ancoradas com toneladas de madeiras nobres prontas para serem distribuídas ou exportadas nos navios.
Tive uma reação inesperada, ficando tremulo e sem palavras diante daquele quadro de destruição de nossas florestas.
Para se terem uma idéia, cada tora ao ser retirada da floresta, abre quilômetros de estrada adentro, uma verdadeira destruição, até chegar a qual foi selecionado para ser retirada.
Isto visto de por avião é chocante.
Gostaria que o Presidente e demais Órgãos envolvidos nessa questão tão complexa, más apenas com falta de homens que queiram preservar e valorizar nosso país , e sobre tudo com espírito patriótico como cada um de nós brasileiros fizesse cumprir nossos direitos de resguardar este solo que nascemos vivemos e morreremos, podendo deixar um legado mais humano para nossos filhos, netos e demais gerações, pois é muita coragem praticar atos tão nefastos, chegando a sentir uma dor no coração deixando me desolada diante deste quadro, e ao falar com algumas pessoas alegarem que grande parte do horizonte que se vê em um horizonte sem fim, sem nenhuma árvore, há poucos anos atrás a floresta ali estava presente. Nas estradas longínquas é comum defrontar com carretas transportando toras com o diâmetro que na mesma dimensão ou diâmetro da carroceria.
Isto se vê em algumas cabeceiras de rios várias toras amarradas e se deslocando pela correnteza até chegar ao destino.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
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