quarta-feira, 14 de outubro de 2009

CURIAÚ


São uma região de Quilombolas, escravos que se refugiavam nas matas fugindo de seus senhores na época dos escravos.
Sempre que possível eu ia até lá passear e aprender os costumes de meus ancestrais.
Certa noite presenciei uma festa de dança em uma tenda onde senhoras com vestidos xadrez dançavam com graciosidade com uma mão segurando a saia comprida e os pés descalços, balançando as cadeiras em um ritmo contagiante ao som de tambores deitados ao chão, tocados por rapazes, usando como vaquetas galhos verdes e flexíveis, produzindo som próximo ao do Congado de Minas Gerais.

Trajando de branco, mantinham ritmo até o sol raiar, revezando em alguns intervalos.
As meninas e senhoras também mantinham o ritmo da dança com seu rebolado com uma resistência notável por longas horas, e a cada intervalo regressavam com a mesma garra. Durante o dia podia se ver porcos andando livremente pelo povoado e quando menos esperava sumiam embrenhando mata adentro.
Eram animais de pelo negro, cabeludos e altos chegando a atingir facilmente a cintura de um homem.
O povoado tinha uma limpeza notável, não se encontrando nenhum papel ou lixo caído pelo chão.
Ao lado do povoado, na época das chuvas, característica que define o inverno na região, um riacho enchia de água, se transformando em pastagem predileta de búfalos.
Ao olhar lá no horizonte do lago de vez em quando via uma canoa atravessando sendo remada por um ribeirinho ou morador da região, por uma barra grande.
Era uma paisagem muito bonita, pois sempre nadando próximo via se uns búfalos.
Vistos da estrada, ao longe apareciam apenas suas cabeças com seus longos chifres longos e arqueados em movimentos que às vezes sumiam, era quando iam ao fundo do lago.
Em certa manhã de Domingo eu e meus amigos resolvemos tirar fotos ao lado de búfalos na estrada e ao tentar uma melhor pose, pediram para que eu me afastasse, ficando bem próximo da fera, e imaginem senhores leitores quando olhei para trás estava quase na cara do gigante de quase quinhentos quilos, há uns dois metros.
Como não deu para eu sair correndo, bateram a foto e pasmem senhores, o búfalo em questão era manso porque senão não sei o que seria de mim naquele momento. Logo após discuti com os caras, pois levei um susto danado e eles nem para me avisarem que já estava tão próximo da fera.
Periodicamente eu gostava de correr por ali na rodovia por horas, fazendo meu treinamento que começava às seis horas da Manhã, e para surpresa minha comecei a ouvir um barulho diferente e para surpresa , quando olhei de lado era o revoar de um bando de pássaros que cobriam o céu, sobre o lago que quase ficou coberto de aves ribeirinhas, como se fosse ao pantanal , uma cena só vista em especiais quando passados na televisão sobre aves migratórias, com suas cores predominantemente avermelhadas do tamanho = tamanho de garças.
Naquela manhã pude captar uma imagem rara jamais por mim presenciada difícil de esquecer.
Foram cenas maravilhosas que tenho daquela região inesquecível.
Na época de inverno é marcada por chuvas constantes e muitos funcionários do Novo Astro gostavam de embrenhar pela mata para caçar. Fiquei muito amigo de um rapaz que era mateiro pessoa da região que pode fazer demarcações locais tanto geográficas quanto geológicas no auxílio a profissionais destas áreas.
Em determinado dia, junto com um motorista me chamaram para irmos até a Oiapoque na divisa com as Guianas Francesas em um Jipe Toyota, único veículo capas de trafegar por aquelas áreas devido a sua tração nas quatro rodas.
No dia da partida calculamos que apesar dos sessenta quilômetros de distância até a Oiapoque, entre ida e voltas devido ao tempo chuvoso poderiam demorar o dia todo, então preferimos não arriscar, pois normalmente só com folga de quinze dias é que se tornava possível. Outra coisa memorável era os churrascos patrocinados pela Mineração para alegrar a rapaziada e consumir as carnes de búfalos em abundância que aconteciam todas as sexta feiras.
O papo rolava legal e entre os colegas, um engenheiro de manutenção Thompson de origem Inglesa da cidade de Liverpool gostava muito de falar sobre os Beatles, papo que levávamos até altas horas da madrugada em Inglês, aproveitando para praticar minha conversação.
Como dissera, ele era músico, e nesse campo o assunto era interminável, além de adorar as praias de Natal, onde pretendia mais tarde morar definitivamente.

Outra região importante próxima Dalí era a Fazendinha, onde se localiza a praia de água doce da cidade de Macapá.
Marco Zero também é um local marcante, onde a linha do Equador linha para por cima de um restaurante dividindo o Hemisfério Norte e Sul. Para mim aquele foi um momento historio por ter a chance de pisar nos dois hemisférios ao mesmo tempo.
A temperatura média sempre acima de trinta e cinco graus a umidade relativa do ar constante, fazendo com que muita gente não conheça ou não use o cobertor ou blusa de frio durante todo o ano.

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