sexta-feira, 21 de agosto de 2009


FACULDADE


Ao chegar ao Rio de Janeiro em setenta e seis, me inscrevi no vestibular das Faculdades Integradas Simonsen, em Padre Miguel, fazendo as provas de vestibular no domingo. Logo após fui saber o resultado e lá estava meu nome como aprovado na relação.
Começava então a realizar meu sonho de fazer curso de nível superior em Administração de Empresas. Comecei então a pensar em como pagar as mensalidades, pois naquela semana estava iniciando em um novo emprego em uma Casa de Saúde Santa Lucia em Botafogo.
O dinheiro disponível só dava para pagar a matrícula, mas soube que o governo estava institucionalizando o Crédito Educativo que viria a financiar meus estudos até a formatura.
Saia do trabalho todos os dias apressado para pegar o trem na central do Brasil, os famosos trens, quarenta em um e quarenta e dois que andava diariamente no horário de mais movimento e era neles que tinha tempo para estudar.
Durante aqueles anos de viagens constantes, muita historia tenho para contar, com muito pagode, sueca e purinha com grupinhos constantes ou construídos momentaneamente para a ocasião.
Em uma das avarias, logo no início dos tempos de faculdade o trem chegou trinta minutos atrzadona estação de Padre Miguel onde eu desenbarcava, chegando no final da prova de Macro Economia. Tentei convencer ao professor, mas sem sucesso, acabei ficando em dependência nesta matéria. Minha luta era árdua, pois minha janta era apenas uma mariola todas as noites ao chegar à república.
Desde criança sabia lá no fundo de minha mente que para galgar caminhos triunfantes teria que abdicar de uma série de coisas consideradas normais, porém eu que vinha lá de baixo, sem pais ao meu lado, nada seria fácil e teria um preço muito alto que eu estaria disposto a pagar para atingir meu objetivo.
Esse Crédito Educativo me possibilitou estudar e concluir o curso de Administração de Empresas, uma dádiva que me levou a conquistar minha Alforria

Esta conquista recentemente me assustou, quando estava falando com minha esposa, chegando a me emocionar, pois foi uma longa estrada com muitos espinhos até certo ponto intransponíveis, mas sem saber que era impossível, fui lá a fiz, então me deu um calafrio e comecei a chorar.
Naquele momento me dei conta que ao final da estrada lá estava eu pisando em terra firme e ao imaginar que em algumas situações o chão aonde hoje piso chegou a não existir em dias e noites intermináveis da minha vida, com todos os problemas, inclusive morte prematura de minha mãe, quando eu tinha 12 anos e meu pai anos depois quando eu já estava para me formar, as coisas mais dolorosas que me aconteceram.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

MUDANÇA PARA BH

BELO HORIZONTE



TRABALHO

Ao chegarmos à capital tudo foi novidade para mim.
Iniciei trabalhando na oficina mecânica com meu pai.
Morávamos em Nova Granada, um bairro distante quarenta minutos do centro da cidade, mas tinha que passa pela Barroca, bairro onde ficava a oficina. Todos os dias na hora do almoço eu passava por uma rua onde morava uma menina chamada Sonia, que ficava me esperando no portão de sua casa e quando me via vinha andando ao meu lado me perguntando meu nome etc. Ela passou a me paquerar todos os dias.
Um belo dia ela me fez declaração de amor assim na lata e eu fiquei todo sem jeito. Meu pai ao ver aquilo me dava à maior força.
O tempo foi passando e neste período surgiu uma pessoa que iria me ajudar muito.

O Guru

Trabalhava na oficina um rapaz ex- padre chamado Hernani que era muito culto e estava sempre a estudar e ler. Ele foi conversando comigo e me transmitindo ensinamentos e postura em situações adversas da vida.
Isto foi muito importante para mim, pois fui assimilando cultura e agregando valores.

Novos Caminhos
Em uma determinada manhã cheguei para o meu pai e disse que não queria mais trabalhar como mecânico, e que iria procura trabalho em escritório.
Estas palavras deixaram meu pai muito chocado e cabisbaixo disse que apoiava minha decisão, mas que jamais deixasse de ser um profissional correto e procurasse sempre ser e fazer o melhor, fosse a profissão que escolhesse, pois dela eu tiraria o sustento da minha família com dignidade.

O Escritório
No dia seguinte saí procurando emprego e fui para a Avenida Afonso Pena, a principal avenida da cidade de BH escolher o prédio mais bonito.
Peguei o elevador e fui ao último andar, começando por ele e de porta em porta fui batendo e me oferecendo como Auxiliar de Escritório. Quando cheguei ao térreo tinha seguramente umas cinco propostas efetivas para escolher, optando então por um grande Escritório de Contabilidade. Iniciando por calculo de impostos. Este escritório pertencia ao Sr Pocrany Alves, um descendente de índio que apostou em mim e foi fundamental nesta nova atividade, me ensinando tudo da área.
No segundo emprego curiosamente os donos do escritório eram de Divinópolis, minha terra natal

Área Hospitalar

Aos vinte anos fui trabalhar em hospitais na
área administrativa como coordenador de grupo de trabalho nos primeiros atendimentos no Pronto Socorro.
Depois fui transferido para o Faturamento, trabalhando em vários outros até minha ida ao Rio de Janeiro, pois no fundo só me interessava à graduação em uma Universidade, visto que em Belo Horizonte havia pouco e minhas chances eram mínimas.

Sonho de ser Médico

Com muita dificuldade concluí o nível médio trabalhando e estudando à noite.
Fazia pré vestibular e isto fazia com que dormisse tarde da noite e muito cansado.
Fiz dois vestibulares com disputa muito acirrada e diante de minhas dificuldades passei a solicitar bolsa a vários países da Europa, Estados Unidos e Escandinávia até que uma Universidade em Estocolmo se prontificou a me acolher desde que conseguisse aporte financeiro para tal. Coincidentemente o Santos Futebol Clube foi jogar em BH, então conseguí falar com ele, o Rei Pelé, apresentando a ele os papéis da referida Universidade.
Para surpresa ele se prontificou a assumir os custos, bastando para isso à confirmação da inscrição na Instituição. Como o período letivo seria considerado somente para o próximo ano o tempo passou e eu desisti daquele sonho, me propondo a vencer no meu próprio país.
Como trabalhava em Hospital como Faturista às vezes fazia organogramas e fluxogramas de distribuição de medicamentos e estruturas administrativas.
Essas sugestões eram elogiadas pelos meus supervisores onde demonstrava um dom para Administração, levando-me a optar por esse curso, posteriormente.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Minha avó Laudicena
Meus avôs paternos sempre foram muito ligados aos filhos eu considerava minha avó Laudicena uma mulher a frente do seu tempo, por querer que meus tios fossem mecânicos.
Era profissão de vanguarda.
Todos os seus filhos se tornaram profissionais responsáveis, sendo as tias professoras exemplos naquela cidade.
Tia Tita

Das tias por parte da mamãe a que tinha o colo mais fofo era o da tia Tita, por ela ser gorda e muito carinhosa.
Quando ela me via já sabia que eu estava querendo o seu afago e começava a sorrir.
Desde o tempo em que ela morava na beira da linha do trem. No fundo do seu quintal passava um rio que podia até pescar peixes grandes.
Por ele às vezes via o meu primo Zezé nadar ora fazendo travessia para aquecimento, hora nadando percorrendo grande parte do seu leito até a ponte de ferro na entrada do bairro de Niterói.
Diga se de passagem ele era campeão de natação do interior de Minas Gerais e integrante da equipe do clube de Natação da cidade de Divinópolis.
Na minha infância e início da juventude muito me ensinou, po0is tinha um comportamento exemplar e era muito conhecido na cidade.
A Nicinha era a filha mais velha e tinha uma memória fotográfica fantástica.
Possuidora de uma força de bondade e perseverança incrivel sempre falava que iria para os Estados Unidos e se formaria em universidade e seria cidadã naturalizada naquele país.
Ao longo do tempo conseguiu seu intento e muito me ensinou por sua vontade de vencer
Os outros primos eram menores na época e eu não brincava muito com eles.
Naquela época brincávamos muito à beira da linha do trem e uma das brincadeiras era pular corda, e também perna de pau.Eram os períodos de férias de fim de ano mais felizes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

INFÂCIA EM LUZ E DIVINÓPOLIS


NATAL E ANO NOVO
Nas festas de final de ano passávamos em Divinópolis na casa da vovó ou da tia Tita, irmã da mamãe íamos de jardineira (ônibus da época) levando o leitão do natal e ano novo em caixote na porta malas superior. Ao chegarmos era dividido para casa da vovó Laudicena e da tia Tita, era só alegria com todos os familiares.
NA ESCOLA

No Grupo Escolar Sandoval de Azevedo fiz meu primário, e como primeira escola lá tive minha primeira namorada platônica que foi a prof. Da. Marília. Muito dedicada me cativou pelo carinho, pois sempre que obtia resposta positiva em tudo dos alunos, ela acariciava-os com aquelas mãos afáveis ainda dava beijos. Moral da história, quem não queria ganhar um carinho e um belo beijo dela, tornando uma disputa muito grande entre todos os colegas pelas melhores notas, melhores trabalhos, melhores cadernos, melhor redação, melhor leitura no ditado.
Meus dois primeiros anos foram no grupo escolar, depois os subseqüentes foram nas escolas reunidas São Rafael. Um colégio de freiras muito rígidas .

Foi uma experiência muito boa, pois me ensinou a ter mais disciplinas, vendo melhor as coisas com uma ótica diferente, mais responsável.

Havia uma irmã muito brava chamada irmã Helena, que de tão rígida se alguém piscasse meio torto ela colocava .
DIVINÓPOLIS

Ao mudarmos para Divinópolis, partimos numa madrugada até Lagoa da Prata, e de lá pegamos o trem até a nova cidade.
Isto porque minha mãe queria viajar de trem e esta foi à maneira de meu pai satisfazê-la.
Como ninguém acreditava nesta mudança, soubemos que no dia seguinte as pessoas passavam em frente a nossa casa em Luz\ e não acreditavam, preferindo imaginar que tínhamos saído de férias, como costumávamos a fazer. Quando a minha volta àquela cidade isto veio a ocorrer trinta e cinco anos depois.
Chegamos a Divinópolis em Janeiro de sessenta e quatro, ano da revolução.
Inicialmente ficamos morando na casa de vovó por dois meses no bairro de Niterói e depois fomos morar em uma casa próximo a Igreja do bairro. Do quintal dava para ver o transito na principal rua, logo na entrada da cidade. Certa manhã veio um movimento muito grande de tanques de guerra do exército, foi quando minha mãe nos disse que era os soldados das forças armadas para defender o poder contra revolucionários e que estávamos vivendo uma revolução, fato que a toda hora era anunciada pelas rádios.
Não entendia nada, passando a me interessar pelos fatos pesquisando pelos jornais sobre política e comecei a entender o que acontecia no país.
Naquela época só trabalhava na oficina mecânica com meu tio Zé um dos irmãos de meu pai.
Diga-se de passagem, eram três tios, Sebastião, Zé e João e dois primos, Marcos e Carlos que adoravam motocicleta Harlley-Davisson. Um dia , quando voltávamos do almoço para o trabalho na garupa da Halley do tio Zé, ao entrar na ponte em alta velocidade, por um fio conseguimos passar entre o muro da lateral da ponte e a carroceria de um SCANIABIS.Naquele momento a moto estava a aproximadamente oitenta quilômetros e só deu tempo do tio Zé gritar “quieto”.
Lá do outro lado após passarmos a ponte paramos e respiramos fundo e ele com a mão para o céu, agradeceu a Deus.
Meus primos gostavam também de BSA, motos alemães da segunda guerra mundial.
Moramos em Divinópolis por mais oito meses, e depois fomos para Belo Horizonte.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

LEMBRANÇA DE LUZ

SÍTIO DO VILMAR

No sítio do Vilmar, meu amigo, próximo de casa, sempre ia pela manhã por volta de cinco horas e tomava leite quente na caneca, saindo diretamente do peito da vaca. Forte por essência, amarelado e grosso, fácil de dar nata grossa, este leite é uma delícia, com sabor totalmente diferente do que tomamos hoje em caixa, sendo que apenas a Parmalat se aproxima da realidade. Para quem não está preparado pode passar mal


OS CANÁRIOS-DA-TERRA

Pela manhã já começava a ouvir e ver os canários-da-terra cantarem, revoando e pousando nos mourões dos currais para saborearem as primeiras refeições. Era uma das mais belas cenas que pude presenciar até então.


AS VACAS

Outra cena magnífica era quando aparecia lá na porteira um cavaleiro correndo no cavalo e avisando de casa em casa em alto tom “Olha a vaca brava corram e se protejam que ela é brava” indo e voltando de um quarteirão ao outro. Depois voltava na porteira para dar apoio aos companheiros que em geral eram quatro ou cinco cavaleiros. As vacas vinham sempre de madrinhas, sendo também em torno de cinco mansas e uma brava, a que ia para o matadouro. Como um animal percebe a hora da morte, esta já saia do pasto percebendo seu final. Vinham os cavaleiros as conduzindo com cuidado e sempre se revezando e com cães treinados e sempre a brava se deslocava e andava rente a cerca ou muro das casas da rua. Qualquer portão ou brecha encontrada lá ia forçando e arrebentando tudo que via pela frente. Às vezes estas vacas entravam em uma rua ou quintal e saia na outra ou em dois ou três quintais depois, toda ensangüentadas, chegando às vezes a derrubar muros, adquirindo a força equivalente a um búfalo, representando um perigo até para os próprios cavaleiros que ali estavam conduzindo-as.
A vaca brava que mais deixou lembrança foi a Bainha, que derrubou e causou o maior estrago na rua, invadindo a maioria das dependências das casas da rua, tendo sido levada em um caminhão amuada e toda amarrada. Até as madrinhas tiveram que voltar no final da tarde. A cerca de casa era nova e ficou com vários mourões avariados.
Apos vários anos este quadro mudou e hoje o matadouro da cidade é quase que dentro da fazenda, onde fornecia naquela época o gado de corte para o frigorífico da cidade


Porquinho Tita


Era meu melhor amigo entre os porquinhos lá de casa. Meu pai ganhava muitos porcos naquela época, presenteados por amigos, para serem assados no natal.
Meu pai era mecânico, e como naquela época não havia muito dinheiro em circulação, muitas vezes ao consertar veículos de conhecidos ele não tinha coragem de cobrar pelos serviços prestados, daí sempre estávamos recebendo em casa quase como escambo, vários porcos, galinhas, coelhos, capivaras, carneiros, cabritos, doces, queijos, galões de litros de leite, cães de caça amestrados, pássaros, e até macacos.

O Tita foi um dos leitões filho de uma leitoa presenteada que não me lembro qual foram e como lá no quintal todos os animais e aves tinham nome, logo um filhotinho se destacou pelo carinho e apego a mim, passando a se chamar Tita.
Daí ele foi crescendo e nossa amizade ficando cada vez mais estreita e quando eu chegava da escola ele ia ao portão me esperar para brincarmos. Quando eu não ligava para ele, começava a me empurrar com o focinho frio, até notá-lo, para começáramos a brincar de esconde-esconde, comer na minha mão, coçar sua barriga ou fuçar o chão, quando eu estava furando para fazer uma pequena cerca, ou preparando área para construção de canteiros para horta.
Ele tinha uma cor preta com coleira branca. Minha irmã o tratava com mamadeira e sua comida era especial, não se misturando com os demais na hora da comida. Muito limpo, ele gostava de dormir no colo e quando conversávamos com ele parecia responder, rosnando baixinho.
Demonstrava um ser inteligente, e anos depois vim, a saber, que por pesquisas científicas foi provado que em geral os porcos são muito inteligentes.
Como em Luz, chovia sempre em época das águas, em uma madrugada, quando dormíamos ouvimos um barulho lá no chiqueiro mais não damos a devida atenção.
No dia seguinte quando fomos lá para tratá-los, o Tita estava com o pescoço prensado entre tábuas e morto, enforcado.
Toda família chorou, más as lágrimas não foram o suficiente para livrá-lo de ser assado, segundo a intenção do meu pai.


Suzete

Era uma cachorra vira-lata muito esperta e inteligente que criamos desde pequena
Toda preta e com uma coleira branca, muito pêlo no corpo, sempre foi tratada muito bem por todos da casa.
Ela faltava somente adivinhar meus pensamentos, de tão inteligente e amiga que era servindo até para caça, embora pequena, pelo seu faro e destreza em localizar a presa.



Rio
Era um papagaio que chegou lá em casa ainda filhote, presente do meu pai.
Começamos a ensinara-lhe a falar e quando adulto já falava bastante coisa, chegando a mexer com os vizinhos e às vezes nos envergonhava.
Ele adorava ficar sempre no pé de goiaba vermelha que era grande e de lá de cima falava e gritava.
Quando eu chegava da escola lá estava ele a me chamar para brincar “Beto, vem brincar”


Preto

Era um passáro-preto de meu pai que foi criado com arroz cozido desde cedo, comendo na mão.
Ele ficava sempre andando pelo chão na cozinha ou voando por cima dos móveis da casa. Cantava muito e todo o dia nos acordava bem cedo com aquele canto estridente. Meu pai gostava de andar com ele no ombro ou no dedo como um papagaio e quando isto acontecia ia cantando, de vez em quando coçar sua cabeça para que meu pai o acariciasse.
Outro animal que tinhamos em casa era Macaco, porém somente meu pai gostava e tinha intimidade com o bicho, dando-lhe banho, com xampu, alimentando-o, dando vacinas e remédio.
Nesta área dos macacos eu não entrava, sendo apenas um mero espectador.

sábado, 18 de julho de 2009


MEXIDO MINEIRO

Devo esclarecer que minha mãe gostava muito de fazer e comer mexido, comida feita de sobra do almoço levada ao fogão à lenha, com bastante tempero contendo alho ao ponto, e couve, com carne desfiada e farinha de mandioca. Minha mãe me ensinou que esta mistura em bolinha feita e comida com a mão é uma das tradições do interior mineiro. O frango com quiabo era uma especialidade dela que me pedia para colher o quiabo na horta quando necessário, e escolher o frango no quintal.
Até hoje não consigo esquecer também, o sabor da galinha ao molho pardo que chegava a ser disputado pela vizinhança.

AS GALINHAS DO QUINTAL

Outra coisa que eu gostava de fazer era quando ao ouvir as galinhas cantarem para botar, lá estava eu preparado com um pacotinho de sal no bolso, acompanhando-a até seu ninho e ao se abaixar para botar ovo eu aparava a mão e antes de cair eu o pegava ainda quentinho, dava um furo, misturava com um pouco de sal e bebia

Discretamente eu saia despistando e de vez em quando ouvia minha mãe falar e reclamar que as galinhas não estavam botando ovos, eu dizia sempre que não sabia de nada.
Eu já tinha feito amizade com as galinhas lá de casa, tratando-as pelo nome, até que surgiu um frango muito meu amigo, que se chamou Rabo Torto.
Quando eu chegava em casa ele vinha correndo e cantando para nós brincarmos de correr ou comer em minha mão; muito brigador e cantador, era o rei do pedaço, com as penas brilhantes.

A HORTA

Eu tinha de preparar os canteiros da horta, capinar e limpar o quintal. Às vezes eu plantava cana, pés de café, maracujá, e outras plantações. Aguava a horta e colhia: couve, tomate, alface, quiabo, salsinha, espinafre e outras hortaliças.
Eu também tinha que ir ao pasto buscar esterco para adubo.
Num belo dia chuvoso que fui limpar a cerca coberta com pé de maracujá, tive que rolar no chão para proteger - me de um marimbondo e quando olhei para cima ví tudo preto. Sai correndo agachado com várias mordidas e logo depois com o rosto um pouco inchado, dei minha tarefa por concluída.
Havia dois pés de goiaba sendo um de goiabas brancas e outro de goiabas vermelhas das quais minha mãe fazia uma caldeirada de doce que jamais comi igual. Este pé de goiaba vermelha dava quase todo ano, sendo elas do tamanho de laranja.

AS BRINCADEIRAS

Eu sempre dividia o tempo para brincar, estudar e ajudar minha mãe na limpeza.
Após voltar do grupo escolar encontrava com os amigos e iamos brincar de pegar passarinhos, nadar e andar pelas fazendas nas proximidades. Quando chovia os rios enchiam e lá estávamos a nadar definidos por nós como bons lugares para mergulhar, sem que a água nos levasse. Pelos caminhos iamos comendo as frutas silvestres encontradas como amora, gabiroba, coquinho, cajá, pinha, e outras. Ás vezes, ao chegarmos em casa já estavamos cheios de tanto comer frutas.


A BICICLETA


Meu pai sempre se preocupou em nos dar o que havia de melhor e mais moderno na cidade e neste episódio sempre eramos o segundo a ganhar as novidades que vinham para a cidade, sendo que os primeiros sempre eram os filhos do dono do Posto de gasolina da cidade.
Com o esforço todo do meu pai ganhei uma bicicleta Monark azul e desfilamos pela cidade eu e minha irmã.
Numa manhã ensolarada, saímos eu e meus amigos pedalando pelas estradas e resolvemos ir até a rodovia que estavam abrindo, fora da cidade. Ao regressarmos por uma estrada de chão cheio de poeira nas laterais, vinha um carro de boi cantando, ao tentar sair de sua roda passei em um monte de poeira e derrapei justo de abaixo da roda do dito cujo. Imaginem os senhores como ficou à roda dianteira da bicicleta amigos, toda retorcida. O vaqueiro ficou todo sem graça e pediu desculpas. Logo a seguir vinha um amigo de meu pai em um jipe Willyans, que parou e me socorreu, levando a bicicleta para o Posto, onde meu pai estava. Chegando lá eles conversaram e meu pai não me chamou a atenção.
A partir daí aprendi muito, pois, a ação naquele momento de meu pai era se solidarizar comigo, pois sabia que eu jamais desejaria que o acidente tivesse ocorrido.
No mesmo dia a bicicleta foi consertada e lá estava eu e minha passeando nela pela cidade, felizes como sempre.