terça-feira, 25 de agosto de 2009

MANGUEIRA


A VERDE E ROSA
Em 1976 quando aqui cheguei a um sábado de carnaval com a intenção de assistir ao desfile das Escolas de Samba fui para Avenida Presidente Vargas, conhecer as arquibancadas da passarela do Samba. Lá chegando conheci algumas pessoas e soube que os ingressos estavam esgotados então comecei a preparar a estratégia para assistir ao show de graça e à noite voltei para ver o desfile quando cheguei procurei me acomodar no alto da estrutura metálica da arquibancada, onde consegui uma visão privilegiada, juntamente com outras pessoas que lá se encontravam. O Império Serrano estava terminando de desfilar e estava muito bonito, sendo aplaudido pelos milhares de pessoas das arquibancadas que estavam lotadas.
Logo depois anunciaram a próxima que era a Estação Primeira de Mangueira sendo aplaudida e logo depois um silêncio não muito longo até o surdo de a Bateria começar a tocar.
Começou o samba e ninguém ficou mais parado naquela arquibancada. Eu que estava ali presente ouvindo e vendo aquilo tudo, imaginem senhores leitores como fiquei. Sem notar, passei a mão nos meus olhos e as lágrimas brotaram como em milhares de rostos que ali estavam dadas a emoção que, sem saber de onde nascia sem percebermos, todavia era a presença da Verde e Rosa que estava proporcionando aquele momento mágico.
Visto de o alto o bailar do mestre sala Delegado e sua Porta Bandeira que até hoje tenho em minha memória demonstrando arte e dedicação total ao Samba.
Logo atrás vinha a Bateria do mestre Waldomiro, que desde sua entrada na Avenida um som diferente dos Tamborins se destacava dando repeniques em uma harmonia perfeita e iniqualavel ao Samba Enredo.
A emoção ia tomando conta da platéia na medida em que a Bateria se aproximava constatando que a Verde e Rosa é pura emoção.
A Infância ligada à Mangueira

Quando criança na cidade de Luz, MG eu gostava de assistir a Festa do Rosário e ficava impressionado pelas vestes que os Ternos de Dança usavam.
Trajavam chapéus com penachos grandes revestidos de espelhos pequenos e reluzentes, e como complemento uma fantasia em cores fortes lembrando muito as cores da Mangueira em suas fantasias. Os adereços eram retratos de santos ligados a festa do Divino.
Os tambores com suas batidas fortes me faziam dançar devido ao ritmo na sua pegada com a cantoria. Isto fez me estabelecer uma ligação em suas raízes muito forte entre as duas culturas , em especial à Mangueira.
Outro paralelo relevante são as homenagens prestadas ao Mestre Vitalino, um dos grandes escultores do nosso país, que sempre é homenageado em nossa cultura musical nestas duas vertentes culturais.

Meu cunhado conhecia um influente diretor de harmonia na Mangueira e este pediu que eu o procurasse num sábado para que fosse apresentado ao saudoso mestre Waldomiro. No sábado seguinte, lá estava eu sendo apresentado na verde e rosa, onde permaneci por vinte e cinco anos .neste periodo participei de shows e gravações em várias partes do Brasil com artistas renomados como Chico Buarque, Jorge Bem Jor, Sandra de Sá, Alcione, Beth Carvalho e outros, alem de conhecer estrelas como Sting e outros.
Era sempre selecionado pelos mestres Taranta, Alcir, Birinha, Ximbico e outros para esses eventos, passando a constituir uma atividade adicional de trabalho devido à renda proporcionada. Naquela época tínhamos total liberdade para elaborarmos a coreografia. Uma vez noticiaram em um jornal que até a bateria dançava, além de tocar incomparavelmente destacando seus tamborins e surdo de marcação na avenida que levavam a platéia ao delírio.
Tínhamos consciência que ser Mangueirense é um estado de espírito e fazíamos fluir a emoção.Os tamborins tocavam diferentes produzindo uma uniformidade de som único, como a cadência de uma orquestra que ao longe se conhecia, não deixando ninguém parado.
No desfile das Super Campeães logo no início do Sambódromo foi inesquecível.Como ela era a última a desfilar entramos na Avenida por volta de nove horas da manhã e com a temperatura de aproximadamente 40graus.
Tocamos como nunca, pois a bateria estava com 180 ritmistas, na Praça de dispersão voltamos tocando e ninguém arredou o pé se transformando até hoje em um dos maiores shows que a Verde e Rosa já proporcionou em minha opinião.

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