
FACULDADE
Ao chegar ao Rio de Janeiro em setenta e seis, me inscrevi no vestibular das Faculdades Integradas Simonsen, em Padre Miguel, fazendo as provas de vestibular no domingo. Logo após fui saber o resultado e lá estava meu nome como aprovado na relação.
Começava então a realizar meu sonho de fazer curso de nível superior em Administração de Empresas. Comecei então a pensar em como pagar as mensalidades, pois naquela semana estava iniciando em um novo emprego em uma Casa de Saúde Santa Lucia em Botafogo.
O dinheiro disponível só dava para pagar a matrícula, mas soube que o governo estava institucionalizando o Crédito Educativo que viria a financiar meus estudos até a formatura.
Saia do trabalho todos os dias apressado para pegar o trem na central do Brasil, os famosos trens, quarenta em um e quarenta e dois que andava diariamente no horário de mais movimento e era neles que tinha tempo para estudar.
Durante aqueles anos de viagens constantes, muita historia tenho para contar, com muito pagode, sueca e purinha com grupinhos constantes ou construídos momentaneamente para a ocasião.
Em uma das avarias, logo no início dos tempos de faculdade o trem chegou trinta minutos atrzadona estação de Padre Miguel onde eu desenbarcava, chegando no final da prova de Macro Economia. Tentei convencer ao professor, mas sem sucesso, acabei ficando em dependência nesta matéria. Minha luta era árdua, pois minha janta era apenas uma mariola todas as noites ao chegar à república.
Desde criança sabia lá no fundo de minha mente que para galgar caminhos triunfantes teria que abdicar de uma série de coisas consideradas normais, porém eu que vinha lá de baixo, sem pais ao meu lado, nada seria fácil e teria um preço muito alto que eu estaria disposto a pagar para atingir meu objetivo.
Esse Crédito Educativo me possibilitou estudar e concluir o curso de Administração de Empresas, uma dádiva que me levou a conquistar minha Alforria
Esta conquista recentemente me assustou, quando estava falando com minha esposa, chegando a me emocionar, pois foi uma longa estrada com muitos espinhos até certo ponto intransponíveis, mas sem saber que era impossível, fui lá a fiz, então me deu um calafrio e comecei a chorar.
Naquele momento me dei conta que ao final da estrada lá estava eu pisando em terra firme e ao imaginar que em algumas situações o chão aonde hoje piso chegou a não existir em dias e noites intermináveis da minha vida, com todos os problemas, inclusive morte prematura de minha mãe, quando eu tinha 12 anos e meu pai anos depois quando eu já estava para me formar, as coisas mais dolorosas que me aconteceram.